• Carol Ribeiro

Um livro infantil para te ensinar sobre política

Atualizado: 17 de Mai de 2019

Eu sei que muita gente não gosta de falar sobre política, mas hoje vamos abrir uma exceção. Antes que você saia correndo, já aviso que não vou ser chata, nem fazer apologia a nada, só quero te fazer pensar.

Entre as boas surpresas do facebook, encontrei um grupo de leitura coletiva e depois de muito discutirmos sobre a escolha do livro, votações de gênero e títulos, chegamos à conclusão de iniciar nosso grupo lendo A  REVOLUÇÃO DOS BICHOS, DE George Orwell.


FICHA TÉCNICA

A REVOLUÇÃO DOS BICHOS

Autor: George Orwell

Editora: Companhia das letras

Páginas: 152

Ano de publicação: 2007

Nota no Skoob: 4,4


CONTEXTO

Foi escrito em plena Segunda Guerra Mundial e publicado originalmente - pasmem - em 1945 (depois de ser rejeitado por várias editoras). Embora tenha sido elaborado com vistas a criticar o regime de Stalin, na Rússia; foi proibido em vários países, o livro possui todos os elementos para ser perfeitamente cabível no cenário brasileiro e creio que não exista nada mais atual.


A história se passa numa fazenda em que os animais se sentem mal cuidados e desvalorizados. Um porco - considerado o mais sábio dos animais - promove uma reunião, na qual realiza um discurso inflamado alertando os animais para a necessidade de reverter aquela situação deplorável à qual estavam submetidos. No dia seguinte, o porco falece e isso gera comoção e revolta entre os animais, a revolução começa a dar seus primeiros passos e aí vem todo o desenrolar da história, que vale a pena ler para refletir.


TRECHOS

“Enfrentemos a realidade: nossa vida é miserável, trabalhosa e curta. Nascemos, recebemos o mínimo de alimento necessário para continuar respirando e os que podem trabalhar são forçados a fazê-lo até a última parcela de suas forças.” “Se essa revolução vai ocorrer de qualquer maneira, que diferença faz trabalharmos por ela ou não?” “Trabalharei ainda mais”

“Todos os homens são inimigos, todos os animais são camaradas.”

“Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que outros.”

MINHAS IMPRESSÕES

Este livro jamais me chamou atenção, por inúmeros fatores: o título, a capa, a data de publicação tão antiga. Agora se tornou um dos meus preferidos por ser de linguagem tão simples e conseguir despertar tantas emoções e fazer refletir com tamanha profundidade.


A obra traz uma alegoria sobre revolução, autoritarismo, alienação, corrupção, egoísmo, exploração, inocência e estratégia; nas relações sociais, familiares ou políticas. Eu poderia ficar aqui um tempão enumerando todos os aspectos interessantes e ainda assim creio que me escaparia algo.

Com linguagem simples - por vezes até infantil - traz tanta informação, que seria impossível escolher apenas algumas partes para destacar.  Consegue te fazer refletir sobre praticamente tudo: além de política - que para mim, esteve presente e gritante o tempo todo - o livro traz uma reflexão sobre uma série de conceitos acerca da vida em sociedade, sobre nós mesmos, nossos anseios, desejos e utopias.


Apesar de despertar tantos sentimentos, gostaria de um final diferente - ou pelo menos, algum final... Senti falta de uma conclusão, motivada por tamanha revolta que senti a cada capítulo. Mas aí é que vem o "pulo do gato": considero que esse final foi premeditado, melhor dizendo, a falta de um desfecho para saciar nossa indignação foi totalmente intencional, encerrando a leitura com mais uma metáfora: esse não é o fim! Será que existe fim? Pode ter sido uma forma de causar ao leitor uma cólera que o faça fixar o enredo na cabeça e tentar sacudir suas convicções. Achou confuso? Então leia e no final, você vai entender. POSSÍVEL ALERTA DE SPOILER - Considero o final como um recado: "Mudam os porcos, permanecem as mesmas porcarias!"

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