• Carol Ribeiro

LAGOM nos setores da vida


Desde que comecei a praticar o LAGOM, isso tem me feito bem e estou cada vez mais interessada no assunto. Só para refrescar a memória:

LAGOM é um estilo de vida sueco, uma filosofia que preza pela moderação - sem escassez ou excessos. É o contrário do "quanto mais melhor".

Representa a ideia de que, para cada coisa, há uma medida que seja suficiente (espaço, comida, dinheiro, tristeza, risos, tempo, recusos, etc). Quando isso é bem dosado, você vive mais tranquilo, mais pleno. Sai a quantidade (excesso ou escassez) e entra a qualidade (fazer tudo, sem gerar desperdício e sem se ocupar com o desnecessário).


Quem não viu a primeira parte, os detalhes sobre o conceito do LAGOM estão todos AQUI. Hoje vamos entrar na parte prática do negócio. Vamos entender, em etapas, cada aspecto dessa filosofia:


BEM ESTAR E SAÚDE

Seu corpo tem um tempo certo para cada coisa. Acorde alguns minutos mais cedo (dormir em excesso também é um exagero desnecessário), tome o café da manhã com calma, concentre-se e dedique o devido tempo e atenção ao seu café.


Durma o suficiente, faça suas pausas necessárias, não pule refeições.


Se você quer ter um corpo melhor, busque equilíbrio. Não adianta exagerar na comida e depois se matar na academia ou passar fome para compensar o excesso.





TRABALHO E OCUPAÇÃO


Será que você sabe dividir o seu tempo adequadamente? Você precisa entender como equilibrar vida pessoal e profissional. Sua profissão é importante, mas ela não deve ser o centro da sua vida.


O trabalho é importante, assim como o almoço, o lanche e as pausas também são. Seu intervalo não é apenas um espaço obrigatório para engolir a comida; é um "respiro", ajuda a arejar a mente, é movimento, é cuidado com a mente e o corpo. Trabalhe o suficiente, não menos e nem exageradamente. Não se atole em hora extra, isso só vai te deixar mais estressado e cada vez menos produtivo.


COMIDA E BEBIDA


A chave é simplicidade e moderação. Busque o que é saudável, simples e gostoso. Valorize os ingredientes, fique feliz com o que está comendo. Coma o necessário para se satisfazer.


Adotar o LAGOM não significa manter uma rotina de regras. Coma o que você gosta, com moderação, mas sem exagerar pensando em resolverá com compensações futuras.


Lembre-se da premissa: MODERAÇÃO. Nada precisa ser muito, nem pouco. Não precisa passar fome, mas também não precisa se empanturrar: LAGOM!


Como dizem os comerciais: beba com moderação. Observe os motivos pelos quais você exagera (se é impulso, ansiedade, companhias que mais te atrapalham do que ajudam, fuga de algum problema). Esse excesso te favorece? Isso te torna melhor? Resolve os problemas? Qual benefícios isso traz para a sua vida?


Cozinhe o suficiente para seu consumo, evite desperdício. Aprenda a reaproveitar alimentos, cozinhando pratos com as sobras. Entender a melhor forma de utilizar recursos e reduzir gastos também faz parte do LAGOM.


MODA

Seja prático, funcional e simples. Você não precisa se vestir de qualquer jeito, mas também não vai exagerar e sair parecendo uma árvore de natal: você perde tempo elaborando tanta informação que não tem absolutamente nenhum retorno efetivo na sua vida - a menos que isso tenha a ver com sua profissão (mais uma vez, lembrando que o LAGOM de cada pessoa é diferente).


Perguntas: Você usa tudo que tem? Precisa comprar mais? Mantenha a qualidade das roupas sem exagero. Uma blusa básica às vezes cai melhor do que uma blusa toda cheia de fru-fru que custo o olho da cara. Você não precisa virar mendigo, mas também não é legal gastar seu orçamento com roupas caras que vão trazer o mesmo resultado de peças mais básicas. O LAGOM trata de excessos tanto na quantidade, quanto na qualidade.

O importante é entender a linha que separa o básico, o necessário, o supérfluo e o exagero.

Um exercício: quando for comprar algo, tente visualizar quantas opções de uso você consegue com essa roupa. Se não tiver pelo menos cinco situações aplicáveis, se pergunte se isso é realmente útil e necessário para você. Roupa foi feita para durar e ser útil, não para te escravizar.


CASA E DECORAÇÃO

Observe a utilidade dos objetos que você tem. Comece a distinguir o que é útil do que é acúmulo desnecessário.


Se você tem uma poltrona, avalie se ela é para assistir TV, conversar com visitas ou ler um livro. A partir daí, analise se ela está sendo usada da forma correta, no local certo, se a iluminação está confortável, o posicionamento adequado e o entorno está agradável.


Enfim, observe a finalidade e a utilidade das coisas, isso é consumo consciente.


Outra "pegada" do LAGOM da decoração é a economia. Aplicada à decoração há um foco em desperdício. Aproveite a luz natural, abra a janela ao invés de acender as luzes; decore a casa com plantas naturais ao invés de enfeites caríssimos.


Olhe para a cozinha com consciência, não compre panelas ou utensílios em excesso, só porque são lindos ou porque "UM DIA" pode precisar, SE for receber muitas visitas, SE resolver dar um jantar para muitos convidados... 

Um bom exercício é começar a analisar quantos "SE" você coloca nas frases ao analisar os aspectos da sua vida.

Se começar a elaborar frases com muitos SE e QUANDO, é hora de avaliar se isso é realmente necessário ou se você está depositando energias em suposições  e situações que podem nunca chegar a acontecer. Isso vale pra tudo que você pensar em comprar, mas também pra tudo que você tem entulhado em casa.

Um casaco que você guarda e não usa há 3 anos, por exemplo, poderia estar há 3 invernos protegendo alguém do frio.


Sempre lembrando da palavra de ordem: MODERAÇÃO. Não é pra você sair doando tudo que tem. Não é pra bancar o São Francisco de Assis (mas um dia a gente chega lá). A análise é para balancear o que é útil do que é excesso.


Veja um exemplo de LAGOM que eu passei, há muito tempo, quando nem conhecia a filosofia:


Há muito tempo eu tinha um cabelão enorme e liso (escovado, não o natural). Passava 2 horas, 2 vezes por semana, embaixo do secador (até no verão) para manter assim.


Na verdade, eu admirava cabelos curtos, mas faltava coragem. Todo mundo elogiava o cabelo e parecia mais correto deixar daquele jeito, já que era tão bonito e elogiado. Um dia eu disse: "O que??? Estou escrava desse cabelo. Essa vida de ficar esquentando a cabeça no secador TODA SEMANA, gastando meu tempo só por causa de aparência?"


Meti a tesoura, cortei mesmo. Foi um baque, todo mundo assustou, ouvi todo tipo de merda que você imaginar. Com o tempo também assumi meu cabelo cacheado - ganhei muitos elogios depois disso - passei aproveitar mais meu tempo com outras coisas além de alisar o bendito cabelo: passeios, cachoeiras, piscina, convivência com meus amigos e por aí vai. De vez em quando ainda uso cabelo liso mas, entendi que aquilo era um excesso desnecessário e que não acrescentava absolutamente NADA na minha vida. 

Hoje não deixo de fazer nada por causa de como meu cabelo está, não priorizo ele em relação à outras coisas na minha vida. Cada atividade recebe o tempo que merece da minha agenda diária. Se eu tenho outras coisas para fazer, o cabelo é a menor das minhas preocupações. 

Entendo que apliquei LAGOM à minha aparência. Significa que eu saio descabelada? Não! Significa que eu não me arrumo para sair? Não! Apenas significa que isso era excesso, desperdício de tempo e energia por motivos que não eram importantes no momento. Eu dedico a atenção necessária ao meu cabelo; não a menos e não a mais!!!

O LAGOM é diferente para cada pessoa, para cada estilo de vida. Não há fórmula padrão.

Para uma pessoa que tem muitos eventos sociais, vai ser útil ter um guarda-roupa vasto, já para uma pessoa que não sai muito, não justifica ter uma infinidade de roupas.


Uma pessoa que mora na mesma cidade de sua família e pertence à uma família grande, precisa de muitos pratos na cozinha para atender à toda a família. Já uma pessoa que mora em cidade distante e não reúne amigos ou familiares, não precisa manter uma cozinha abarrotada de utensílios, pratos e afins. SE... UM DIA... oferecer um jantar maior, que tal alugar a louça? Afinal, será um evento raro e único, não se justifica adquirir coisas que raramente terão utilidade.


Se o ônibus ou táxi está demorando a chegar, reclamar não vai resolver o problema. Não adianta ficar resmungando, isso não vai acelerar o transporte e só vai estressar você as pessoas ao redor. Use esse tempo para dar um telefonema, enviar uma mensagem para alguém (mesmo que seja apenas para dizer à pessoa que se lembrou dela), dê uma checada nas redes sociais ou leia um livro.


Se você tem plantas em casa, que tal utilizar casca dos alimentos com fertilizante natural, ao invés de pagar caro por um produto químico na floricultura. Existem muitas receitas boas por aí... LAGOM é mais ou menos assim, encontre o seu ponto de equilíbrio e seja feliz!

Lottoland

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