• Carol Ribeiro

Cordilheira dos Andes - Chile

Ver a neve no Chile, pra mim, é a cereja do bolo! Essa é maior expectativa de quem visita Santiago - comigo não podia ser diferente. Confesso que, apesar da curiosidade, estava bem tranquila na véspera do passeio. Não imaginava que seria tão mágico, surpreendente, espetacular. Impossível não sentir DEUS num lugar assim!


Durante o vôo de São Paulo à Santiago já temos a primeira visão da Cordilheira. O piloto informa quando vai sobrevoar a região. Tenho certeza que se eu não estivesse na janela, teria sofrido um treco tentando tirar foto por cima de alguém.

Existem vários tipos de passeios para ver neve. Alguns levam à lugares com uma linda vista, mas pouco contato com a neve em si - é o caso do Cajón del Maipo & Embalse el Yeso. Neste tipo de passeio a paisagem é linda e exuberante, você consegue fotos maravilhosas, mas pelo que li: é só isso - sem esquiar, nem rolar na neve. Algumas empresas montam um pequeno pique-nique para incrementar o passeio. Todos dizem que as fotos ficam realmente maravilhosas, mas mesmo assim não escolhi esse passeio, estou contando conforme as informações que recebi de amigos e pesquisas na internet.


Ao longo do post vou colocar dicas que eu considero extremamente necessárias. Conheço algumas pessoas (inclusive meu marido) que negligenciaram algumas delas e se arrependeram depois!


O passeio que fizemos, passa por Farellones e depois vai até o Vale Nevado - leva um dia inteiro.

O caminho já vai dando sinais do quanto o dia vai ser bom! Dá vontade de sair do carro correndo e pular na neve, mas não adianta se empolgar demais... tem muita estrada até chegar à primeira parada: Farellones. 


Embora a paisagem seja deslumbrante, não se iluda totalmente: a vista é linda mas a estrada é o ÓHHH... São 40 curvas bem fechadas até chegar a Farellones e mais 20 para chegar no Vale Nevado.

Foto do Google - Caminho para a Cordilheira na primavera/verão

A foto acima é da estrada que leva aos parques, peguei na internet para que se entenda realmente como é puxada.


Em cada curva a preferência é de quem sobe, portanto, isso também pode atrasar a viagem - quanto mais carros cruzando o caminho, mais lento o percurso. Por isso, se seu passeio for marcado para o comecinho da manhã, não reclame: quanto mais cedo, mais vazia a estrada!


DICA N° 1: NÃO EXAGERE NO CAFÉ DA MANHÃ! Estas curvas podem fazer mal, então faça uma refeição leve. Eu, que tenho facilidade em passar mal, preferi o jejum e ainda assim tive um pouco de enjoo, mas nada demais!


São aproximadamente 35 Km de distância de Santiago e o tempo de viagem vai depender da época do ano e da quantidade de neve na região. O Google informa em torno de 1 hora, em condições normais. O passeio contratado em agência, leva mais tempo porque na ida tem uma parada para alugar roupas ou equipamentos e na volta, outra parada para devolver tudo.

DICA Nº 2: SE NÃO SABE ESQUIAR, NÃO SE META A BESTA. ISSO É SÉRIO! Não se aventure sem supervisão ou um curso preparatório (em Farellones tem pequenos treinamentos disponíveis para compra). Ouvi relatos de pessoas que bateram a cabeça ou se machucaram feio, porque se aventuraram sem responsabilidade. Vou lembrar uma coisa: Neve em repouso vira gelo - duro feito pedra, não é como aquela neve em floquinhos. linda e fininha que cai do céu feito algodão doce! É gelo, é duro feito concreto, machuca. Se você cair vai doer... muito!


Chegando em Farellones, o guia passa várias instruções e algumas dicas importantes - porque turista empolgado é um perigo (kkkkk), melhor prevenir. Me aventurei a fazer um videozinho sobre as primeiras impressões - não se assustem, minha familiaridade com a câmera é ZERO, mas acho que é possível ter uma noção!

A entrada no parque não está inclusa no valor do passeio, portanto, considere os valores de: passeio + aluguel roupa + entrada no parque + lanche. A parte boa é que depois que você entra, tem muita coisa liberada: esquibunda, tirolesa, bicicleta, teleférico, etc...


O marido custou a encarar o vento no rosto, ficou um tempo "mascarado" até criar coragem. Como sou curiosa, até o frio no rosto pra mim era experiência de viagem!

Eu tirei TANTAS fotos que ficou difícil escolher quais iriam para redes sociais e blog. Cada movimento, paisagem, cada olhar dava vontade de fazer uma foto.


Para chegar à parte mais alta, vamos de teleférico - não é como a roda gigante que estaciona pra você subir, viu; é no pulo, minha filha... tu vê o bicho aproximando, mira, prepara a buzanfa e quando vai chegande perto, SENTA e em seguida já abaixa a barra de proteção!




DICA N° 3: USE FILTRO SOLAR. A neve queima sem você perceber, pois reflete os raios solares. Como está muito frio e o vento é gelado; só vai perceber depois que já estiver sentindo o rosto ardendo; queimado!


Nosso guia explicou a necessidade do protetor, nos ofereceu o dele. Eu passei, ele achou bobagem porque tava frio pacas. Depois de um tempo, pensa num rosto vermelho, ardendo feito sol... Pois então: escute o guia turístico.

Na parte mais alta se encontram as lanchonetes, cursos e alguns quiosques de equipamentos

Ao fundo, o pessoal na fila pra descer de tirolesa

DICA Nº 4: SE O PASSEIO FOR NUM DIA ENSOLARADO, LEVE ÓCULOS ESCUROS. O reflexo da neve ofusca a vista e pode causar inflamações oculares. A neve é muito branquinha, dependente da forma como o sol bate, fica difícil enxergar.

DICA Nº 5: SE FOR NO INVERNO, ALUGUE O TRAJE SIM. Mesmo se não for esquiar, alugue o traje, assim ficará mais confortável e sem medo de brincar na neve. Como já falei algumas vezes, neve é água congelada...


Se você sentar na neve, escorregar, cair ou quiser brincar, vai se molhar e ainda pode pegar um baita resfriado. Além disso, tem lugares que a neve está dura feito concreto e outros que ela ainda está fofa e você pode afundar de repente. A roupa alugada é impermeável, então você fica à vontade pra se divertir e brincar como criança. Alguém aí acha que a gente ia deitar na neve se não estivesse com roupa alugada? E isso vale a pena, porque as fotos ficam ótimas!


Depois de andar e conhecer todo o lugar, me aventurei a brincar no Skybunda e foi muuuuito legal... Se tivesse tempo eu descia umas 10 vezes, mas a subida é lenta, longa e a fila é grande, então foi só uma vez mesmo! NOTA: Se for à Farellones, aproveite o começo da manhã para brincar; quanto mais tarde, mais cheio e a descida vai ficar mais disputada.


A subida é por uma esteira rolante bem comprida e se não fosse pelo zoom da câmera que é de 50X, não seria possível fazer as fotos com proximidade e qualidade. (Repare no teleférico no canto direito - é bem alto).



Lá no topo, um instrutor passa as recomendações de como frear, ganhar velocidade e mudar de direção. Se você desequilibrar e cair do trenó/bandeja deve levantar e descer a pé pela lateral para não atrapalhar a brincadeira dos outros: é bem organizado!


Depois de conhecer bem o parque de Farellones (que fica em torno de 2.500 metros de altitude), retornamos à Van e subimos mais 20 curvas, alcançando 3.000 metros de altitude para conhecer o Vale Nevado.


O Vale Nevado já é um ambiente, digamos, mais profissional. Enquanto Farellones tem aquele ar de diversão, brincadeira e descontração, onde os leigos e inexperientes conseguem ficar bem à vontade e se divertir; o Vale Nevado já tem uma pista de esqui enorme, uma estrutura de vestiário e equipamentos notavelmente mais elaborada, além do ar de seriedade. Vi muitas pessoas com equipamentos sofisticados e vestidas à caráter, encarando a pista como se fosse uma situação bem profissional e ao mesmo tempo, normal.


Embora não tenha bilheteria para entrar no Vale Nevado, também não tem o que fazer (a menos que você seja um esquiador experiente), até para andar no teleférico paga (e caro).


Ficamos pouco tempo, apenas o suficiente para conhecer o lugar e fazer algumas fotos. Confesso que gostei muito mais de Farellones e numa próxima visita, provavelmente eu vá somente lá (para poder aproveitar melhor as atividades). Mas pra quem nunca foi, vale a pena conhecer.




Ao fundo da foto acima, fica a parte mais alta da pista, eu usei o zoom da câmera para tentar dar a real noção de distância. A olho nu, mal dá para enxergar o que se passa ao fundo, só com uma boa câmera é possível. Fiquei impressionada com a tranquilidade do pessoal que desce por ali, só de VER eu já fiquei de perna bamba. Enquanto os pobres mortais descem sentadinhos no esquibunda em Farelonnes, aqui o bicho pega e o sistema é bruto!!!


Depois de algum tempo, pegamos o caminho de volta e a paisagem parecia mais linda ainda. O sol ilumina a neve de um jeito que não dá pra captar com a máquina, só ao vivo pra entender o que eu estou dizendo.


Observe a placa para ter uma noção da altura que a neve alcança na beira da pista. Isso consideramos que fomos em Setembro e a neve não estava no auge. No ápice do inverno, a estrada chega a ser interditada pelo risco de acidentes e deslizamentos.

Como nossa visita foi no final do inverno; na parte baixa - quase chegando à cidade - a nova estação começa a surgir. Flores aparecem na beira das encostas e o branco da neve dá lugar ao colorido da Primavera!


Na descida de volta à Santiago, uma linda surpresa: duas raposas tão curiosas quanto nós, vieram perto da estrada e não se assustaram nem quando paramos bem perto, pra mexer com elas.


O dia foi extraordinário e entrou pra história. Obrigada ao Luis Toledo, nosso guia/enciclopédia/amigo. Deu muitas dicas pra gente não passar mal naquela altitude toda, teve a maior paciência com quem passou mal nas 60 curvas, deu muitas dicas de outros passeios em Santiago, contou muitas histórias e tirou nota 10.

E pra quem acha que essa viagem, foi só mais uma, olha o resultado marcado na pele, pro resto da vida! Coordenadas geográficas de Farellones: primeiro lugar que realmente tive contato com a neve, meu sonho de criança transformado em realidade. Para mim foi uma experiência incrível...


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