• Carol Ribeiro

Não troque sua sanidade por dinheiro

Atualizado: 17 de Mai de 2019


Um  dia você percebe que cresceu, e sendo um adulto, precisa tomar um rumo na vida... É preciso arrumar um emprego! Depois vem a cobrança por um curso superior e, em seguida, um mestrado ou doutorado.


Se você for solteiro te questionam se tem algum problema e porque não acha alguém legal pra namorar; se estiver namorando querem saber quando será o casamento.


Se você for casado, todos te pressionam para ter filhos; se já os tiver, a pressão é pra aumentar a família e te perguntam quando vai ter mais um; e por aí vai...


Mas vamos focar no quesito CARREIRA.


Seja você funcionário ou empresário, sempre existe uma sucessiva cobrança por evolução e desenvolvimento.


Suponhamos que sua situação seja estável, seu rendimento é modesto, mas as contas estão pagas e sobra um pouco no final do mês para viver com dignidade, mas não é assim que a banda toca.


A pressão pelo sucesso e crescimento constante está aí o tempo todo, cobrando que você se aperfeiçoe, pense grande, se adapte à conjuntura atual do mercado: quem não se adaptar vai sucumbir. O mercado é voraz. Inovar para sobreviver: este é o lema e por aí vai...

De detalhe em detalhe você vai modificando sua forma de pensar, começa a ouvir as pessoas e se todo mundo pensa assim, logo, deve fazer algum sentido. Não parece certo ficar estagnado. De tanto se “adaptar”, quando se dá conta, você não é mais o mesmo. Você perde a essência que te despertava a paixão pela sua vida e se vê transformado em alguém que está buscando sempre mais, porque foi programado para nunca estar satisfeito com o que tem.


Tudo se resume a números e problemas e, quando a satisfação não é proporcional ao stress gerado ao longo mês, você se frustra. Um detalhe: o que te frustra hoje, pode ter sido motivo de alegria no passado. Os números no fim do mês que hoje te geram insatisfação, podem ter sido motivo de comemoração no passado. Aquela viagem que você faz reclamando (que pela falta de grana não vai pra um lugar melhor) pode ser a mesma que já te fez sorrir anteriormente.

E aqui mora o X da questão. Até onde vale a pena buscar esse “algo a mais”? Será que levar uma vida simples e modesta e estar satisfeito com isso, é errado? Quem não quer ser "grande" tem algum problema? Aliás, o que é SER PEQUENO propriamente dito?


Essa necessidade de consumir informação o tempo todo, estudar sempre, questionar tudo, ser antenado, ser notado pela sociedade, especializar-se, superar resultados, ser visível, produtivo, disposto (e sempre bem-humorado, de preferência), tudo isso vale o custo que tem?


Qual a última vez que você sentou numa varanda e olhou para o céu? Você resiste à conferir o celular, assim que sinaliza que chegou uma mensagem? Afinal, pode ser algo importante (como se o que estamos fazendo nunca fosse). Aliás, quando foi que conseguiu ficar sem o celular por um dia inteiro?

E o que eu quero dizer com tudo isso?


Fique atento ao seu propósito. Entenda PORQUE e PARA QUE você traçou cada objetivo na sua vida.

Relembre exatamente o que te levou a entrar em cada projeto e quais aspectos da sua vida trazem realização pessoal e profissional. Não abra mão das suas convicções, no primeiro tropeço, por medo ou incerteza de resultados.

Que fique claro, não estou aqui para criticar quem deseja crescer, ter uma carreira de sucesso ou abrir seu próprio negócio, apenas quero que você repense o que é SUCESSO para você. Se sua definição de sucesso é uma megaempresa, uma casa luxuosa e um bom carro na garagem, ótimo. Corra atrás do seu sonho, mas espero que não se perca no meio do caminho. Se você está disposto a trabalhar feito louco para ter conquistas materiais, tenha certeza de que seu tempo não fique tão ocupado com o trabalho que você não possa nem desfrutar da sua vida em família.


Hoje eu penso que não adianta nada ter a carteira cheia e o coração vazio e é muito triste ver pessoas que levam uma vida inteira para entender isso. No seu funeral ninguém vai dizer: sinto saudades porque tinha uma linda coleção de sapatos, um belo carro ou uma casa enorme. Vão sentir falta do que você FOI e não do que você POSSUIU.


Todos os dias, profissionais bem-sucedidos e financeiramente estáveis jogam tudo pro alto para recuperar a paz que perderam lá atrás e nem sabem onde ou quando a perderam. O mundo é cruel. Não se iluda: cabe à você decifrar o enigma da própria vida e descobrir quais grandezas realmente te completam e quais ambições te tornam infeliz.

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