sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Reolhar a vida: lugares e pessoas

Acho incrível como mudamos nossa percepção sobre coisas e pessoas com o passar do tempo. 

Com certa frequência encontro pessoas do passado que eu achava que eram mais altas ou mais bonitas e, um belo dia, tenho a percepção que são menores ou não tão belas - o contrário também acontece - ou visito lugares e tenho impressões completamente diferentes sobre o mesmo ambiente.

Na verdade, não são as coisas que mudam, somos nós que mudamos nossa visão de mundo e com isso as coisas e pessoas são resinificadas e criamos uma nova percepção.



Quando eu era adolescente, me impressionava com casas majestosas e ficava imaginando como era a vida das pessoas que moravam ali, sonhava em um dia poder ter uma casa imensa como aquelas. Hoje, construções pouco me impressionam e fico muito mais encantada com uma pequena flor que nasce entre as pedras, com as tonalidades do céu ou um casal de idosos que passeia de mãos dadas.

Hoje, me importo cada dia menos com COISAS. Não virei um ermitão, mas ando naquela fase de questionar "isso é útil?", "pra que preciso guardar isso?" e quanto mais faço isso, mais se torna um hábito e vou me desapegando das coisas. O mais engraçado é que quanto mais você elimina coisas (que dali em diante nunca fazem falta), mais você percebe o quanto aquilo era inútil na sua vida: isso serve para objetos, sentimentos e pessoas também.
Às vezes guardamos pequenos objetos (uma caixa, um embrulho, um copo diferente, uma lembrancinha) pensando que "um dia posso precisar", mas esse dia NUNCA chega e quando você vê, já tem 5 anos que guardar aquilo para UM DIA...

Recentemente revisitei Tiradentes. Minha primeira viagem foi na época da escola - 7ª série do ensino fundamental. Naquela época as igrejas me pareceram imensas, a cidade era um cenário de filme, aos meus olhos as ruas eram largas com pedras enormes. Achei tudo muito lúdico, imponente...

Corta para 2018 (uns vinte anos depois). Hoje sou outra pessoa, já viajei um pouco, conheci muitos lugares no Brasil e também visitei mais 2 países (essa lista ainda vai aumentar, se Deus quiser).

Ao rever Tiradentes, minha percepção foi outra. Não lembro exatamente dos lugares que visitei no passado, mas me lembro da sensação que tive ao estar lá e da magnitude que dediquei aos lugares.

Hoje, continuo achando bonito, mas não com a grandeza que enxerguei no passado. As igrejas são pequenas e singelas; as ruas são lindas, mas bem estreitas e por aí vai...
Entende onde quero chegar? Não estou dizendo que lá não seja lindo e encantador, mas é engraçado como as coisas mudam as proporções conforme a fase da nossa vida. Tenho observado isso também com relação à pessoas que revejo depois de um tempo.

Minha mãe costuma dizer que às vezes vemos pessoas mais altas porque na nossa mente cria uma relação entre a personalidade da pessoa e suas características físicas. Acho que faz muito sentido!

Nas palavrar de Fernando Pessoa: eu sou do tamanho daquilo que vejo e não do tamanho da minha altura.
Esse post faz parte da blogagem coletiva REOLHAR A VIDA, um  projeto da Elaine Gaspareto.

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