sábado, 11 de agosto de 2018

DIA DOS PAIS - De um jeito diferente

Você já reparou que a maioria das propagandas de dia dos pais ou das mães sempre mostra os pais com crianças pequenas? Isso sempre me incomoda porque parece que a plenitude disso está apenas na infância dos filhos e não na fase adulta. Digo isso, na perspectiva de filha - isso porque, obviamente, não sou mãe.

Sei que existe aquele velho clichê para os pais, seus filhos serão eternas crianças, mas o fato da relação pais x filhos ser representada - na maioria das vezes - pela fase infantil dos filhos me incomoda porque eu acho tão fantástica a relação que pode haver entre adultos, que julgo um desperdício não aproveitar isso também nas campanhas e propagandas.
Mas vamos parar de falar em marketing e voltar a falar de sentimento. Hoje eu quero lembrar que as datas comemorativas são um lembrete: de que a vida deve ser celebrada, que existem pessoas importantes ao nosso redor - que muitas vezes não deixamos claro o quanto elas representam na nossa vida - e que não somos eternos.

E se você vier com o papo de que "Ahhhh, mas meu pai sabe que eu o amo". Claro, eu acredito que sim, mas quantas vezes você disse isso a ele? Não pelo whatsapp ou em um tom de brincadeira, mas sério e olhando olho no olho. Cobramos tanto das pessoas e esquecemos de fazer a nossa parte.

Nossa sociedade está cada vez mais distante fisicamente e a tecnologia é uma das grandes responsáveis por isso, nos falamos muitos mais por mecanismos digitais do que pessoalmente e, com isso, estamos perdendo o jeito, enferrujando, esquecendo como se faz. Um abraço, um olho no olho, um eu te amo, fazem bem para qualquer pessoa.

Tenho praticado algumas pequenas mudanças no cotidiano por causa do Reolhar a Vida e tenho notado a diferença que um simples BOM DIA faz na vida das pessoas. Se um BOM DIA já é transformador, então quão forte deve ser a força de um EU TE AMO! Imagina o que pode acontecer se você olhar e agir com seu pai ou sua mãe com o mesmo amor que demonstra com o namorado, o marido ou seu próprio filho. Se você já faz isso, parabéns! Se ainda não, repense... pais não são eternos e acredite;  eles farão falta um dia!

Para ilustrar um pouco desse sentimento - da importância do convívio saudável, amoroso e intenso - trago um texto da minha querida amiga Doralice Ribeiro, jornalista de São Paulo, mulher brilhante, guerreira, inteligentíssima e sensível, que conheço e carrego no coração há décadas, sempre fui fã número 01, apaixonada por seus textos e que embora tenha o mesmo sobrenome não é minha parente, mas bem que poderia ser... Dora, obrigada por me deixar trazer um pouco de você para cá:

O QUE VOCÊ FARIA SE SEU PAI ESTIVESSE VIVO?

"O que eu faria?????? Nada e tudo. Deitaria no colo dele como sempre fiz, mesmo tendo mais de 50 anos. Ficaria a tarde de domingo e de sábado conversando (como fazíamos). Dividiria minha rotina com ele. Levaria ele de carona no fusca (ele todo orgulhoso) até a casa dele. Iria para a cidade de braços dados como sempre íamos. Brigaria com ele, quando não concordasse (a gente também brigava). Diria que o amo. Tiraria seus cravos (os das costas somente eu tirava). Ficaria na área dos fundos falando bobeira ou até chorando pelas desventuras. Eu viveria o que já vivi, com a intensidade do hoje, sem pensar no amanhã. Saudades do meu amado pai. Apesar de tudo não vou levar flores em seu túmulo. Isso para mim nada representa. E lá se vão três anos sem ele, sem seu cheiro, sem seu abraço, sem seu colo, sem poder dividir as tristezas, como a que sinto hoje.

Se você ainda tem seus pais, reflita sobre tudo que leu, abrace, diga o que sente - deixe um pouco de lado o presente que comprou e procure SER mais presente, dedique seu dia a ouvir, abraçar, relembrar histórias e rir junto, peça para te contarem algo da sua infância. Se já não os tem, mas tem filhos, ensine-os a viver o amor paternal intensa e abertamente. Um dia eles também serão pais e terão aprendido em casa como é bom não ter vergonha de amar.

Dê o primeiro passo, abrace, diga que ama (conheço filhos e pais que nunca conseguiram se abraçar ou dizer que se amam e isso é muito triste). Mostre aos seus filhos e/ou a seus pais a importância deles na sua vida e, garanto, se sentirá muito melhor depois disso.

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