quarta-feira, 23 de maio de 2018

Um livro "infantil" para te ensinar sobre política

Eu sei que muita gente não gosta de falar sobre política, mas hoje vamos abrir uma exceção. Antes que você saia correndo, já aviso que não vou ser chata, nem fazer apologia a nada, só quero te fazer pensar.
O cenário é o seguinte: greve dos caminhoneiros, confusão nas estradas de todo país, governo fazendo o que ele faz de melhor (interprete como quiser), combustível já começa a faltar em algumas cidades, comida acabando nos supermercados, Brasil sendo Brasil.

Para quem, por algum motivo, estiver em outro planeta e não sabe do que eu estou falando, é mais ou menos isso aqui:
O fato é que o governo, vem sacrificando a população desde que instituiu o livre reajuste no combustível. O povo cansou, os caminhoneiros resolveram agir e pararam o transporte até que o governo se posicione e ofereça alguma solução efetiva para o problema.

Agora pare um segundo e olhe em volta, aí onde você está... olhou? 

Pois é, praticamente TUDO que tem ao seu redor (o celular ou computador onde você lê isso agora, o sapato que está no seu pé, sua comida, o lugar onde você está sentado, as roupas que você está usando agora, o telhado sob sua cabeça, o cimento dessas paredes ao seu redor), muito provavelmente, precisou ser transportado em algum momento para chegar até você e - para isso - é preciso COMBUSTÍVEL. Isso para falar o básico, porque combustível é simplesmente indispensável nos tempos atuais.

Agora basta somar dois mais dois e entender que quanto mais essa greve demorar, maior a chance de começar a faltar alguma coisa para você. Dito isso, vamos à nossa dica de leitura...

Entre as boas surpresas do facebook, encontrei um grupo de leitura coletiva e depois de muito discutirmos sobre a escolha da leitura, votações de gênero e títulos, chegamos à conclusão para ler A  REVOLUÇÃO DOS BICHOS, DE George Orwell.

Este livro jamais me chamou atenção, por inúmeros fatores: o título, a capa, a distância de tempo com a qual foi escrito. Agora se tornou um dos meus preferidos por ser tão simples, curto e conseguir despertar tantas emoções e fazer refletir com tamanha profundidade. Recomendo!

“Enfrentemos a realidade: nossa vida é miserável, trabalhosa e curta. Nascemos,recebemos o mínimo de alimento necessário para continuar respirando e os que podem trabalhar são forçados a fazê-lo até a última parcela de suas forças.”

“Se essa revolução vai ocorrer de qualquer maneira, que diferença faz trabalharmos por ela ou não?”


“Trabalharei ainda mais”


“Todos os homens são inimigos, todos os animais são camaradas.”

“Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que outros.”


Foi lançado - pasmem - em 1945 e creio que não exista nada mais atual. Embora tenha sido elaborado com vistas a criticar o regime de Stalin, na Rússia ele tem todos os elementos para ser perfeitamente cabível no cenário brasileiro.

A história se passa numa fazenda em que os animais se sentem mal cuidados e mal valorizados. Motivados pelo discurso de um porco, considerado o mais sábio entre eles, começam a questionar o modo de vida e a submissão à qual estão presos. 

Após o falecimento do porco - no dia seguinte ao discurso - a revolução começa a dar seus primeiros passos e aí vem todo o desenrolar do contexto, que vale a pena ler e refletir.
A obra traz uma alegoria sobre revolução, autoritarismo, alienação, corrupção, egoísmo, exploração, inocência e estratégia; nas relações sociais, familiares ou políticas. Eu poderia ficar aqui um tempão enumerando todos os aspectos interessantes e ainda assim creio que me escaparia algo.

Com linguagem simples - por vezes até infantil - traz tanta informação, que seria impossível escolher apenas algumas partes para destacar.  Consegue te fazer refletir sobre praticamente tudo: além de política - que para mim, esteve gritante o tempo todo - o livro traz uma reflexão sobre uma série de conceitos acerca da vida em sociedade, sobre nós mesmos, nossos anseios, desejos e utopias.

Apesar de despertar tantos sentimentos, gostaria de um final diferente - ou pelo menos, algum final... Senti falta de uma conclusão, motivada por tamanha revolta que senti a cada capítulo. Mas aí é que vem o "pulo do gato": considero que esse final foi intencional. Melhor dizendo: a falta de um desfecho para saciar nossa indignação foi totalmente intencional, encerrando a leitura com mais uma metáfora: esse não é o fim! Será que existe fim? Pode ter sido uma forma de causar ao leitor, uma cólera que o faça fixar o enredo na cabeça e tentar sacudir suas convicções...

Considero o final como um recado: "Mudam os porcos, permanecem as mesmas porcarias!"

Atualizações do Instagram

Topo