quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Pier de Iemanjá - Vitória

Esse ano foi bem punk, mas pelo menos de uma coisa eu não posso reclamar: tivemos uns feriadinhos  ótimos para dar uma esticada.

Em novembro, estivemos no Espírito Santo e nas andanças sem rumo (que temos hábito de fazer em toda cidade que visitamos) conhecemos um cantinho chamado Pier de Iemanjá.
Localizado na parte continental de Vitória, na praia de Camburi, o espaço foi criado para atenuar problemas de erosão decorrentes das atividades no Porto de Tubarão.

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A estátua guarda uma história interessante: na época da sua inauguração, a igreja católica foi contra e houve muita polêmica em torno do assunto. A estátua ficou pronta no final de 1987, mas o prefeito da época decidiu realizar a inauguração oficial da imagem, no dia de Iemanjá - 02 de fevereiro de 1988.

Após ouvir essa história, considerei este lugar como um símbolo de liberdade religiosa, um local que resistiu à intolerância e o preconceito; mostrando que é possível e preciso respeitar todas as crenças e culturas.

O pier é um lugar lindo, entre visitantes e frequentadores assíduos está cheio de pessoas com histórias interessantes. Encontramos desde de escritores a pescadores, todos de conversa boa e sorriso fácil; ouvimos histórias e nos divertimos muito.


Conhecemos muitas pessoas da região que se encontram ali para pescar, relaxar, descansar... E além de tudo isso, ainda tem um frequentador inusitado e charmoso.


Esta garça preta fica entre os pescadores frequentes, chega bem perto e pega petiscos na mão, já faz parte da equipe de pesca e tem amizade mais próxima com um dos pescadores em particular, porque ele divide suas iscas com ela. Embora seja simpática com todos, ela tem proximidade maior com ele, é uma graça ver como ela o acompanha e quando ele muda de posição ou faz qualquer movimento ela fica sempre de olho nele.


Nessa região existem muitas (mas muitas) tartarugas. Elas aparecem a todo instante, subindo à superfície para respirar. Os pescadores ficam meio chateados porque elas estão em número tão grande, que a pesca tem ficado cada vez mais difícil. Independente disso, é lindo observar as bichinhas!


Ao fundo do pier tem uma pequena ilha. Fiquei super curiosa para saber se alguém habitava ali e como seria a vida naquele lugar. Passei um bom tempo admirando a paisagem e imaginando mil situações.


Ao chegar em casa, resolvi pesquisar e descobri uma reportagem do ano 2010, contando que ali mora uma família. Dona Vera, dois filhos, dois netos, vários cachorros, galinhas, patos e pelo que pude perceber no texto, embora seja tudo muito simples e não tenha sequer energia elétrica ou água encanada, na casa não falta alegria e simpatia. Confira a matéria AQUI. É nessas horas que percebemos como precisamos de pouco para viver e complicamos tanto a vida. Essa família vive com tão pouco e conta apenas com uma canoa para obter seus suprimentos.

Como a reportagem é antiga, fiquei pensando se todos ainda moram lá. Se Dona Vera está bem e como deve ser a vida ali. Espero que estejam todos bem e felizes!


Fiz algumas imagens para mostrar melhor o lugar. E o que já é bom, ainda pode melhorar: existe um projeto para construção de uma Marina Pública que vai enriquecer a orla marítima e promover a geração de empregos diretos e indiretos.


E aí, gostou dessa dica de passeio? Se for à Vitória, vale a pena dar um pulo no Pier de Iemanjá; passar uma tarde gostosa, fazer amigos, jogar conversa fora!

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