sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Férias no CHILE: Cordilheira dos Andes

E chegamos à cereja do bolo! A maior expectativa de quem visita Santiago no inverno é ver a neve - comigo não podia ser diferente. Confesso que, apesar da curiosidade, estava tranquila na véspera deste passeio. Não imaginava que me surpreenderia tanto, mas foi simplesmente um ESPETÁCULO!

Durante o vôo de São Paulo à Santiago já temos a primeira visão da Cordilheira e o piloto informa quando vai sobrevoar a região.

(Vista na ida)
(Vista na volta)

Existem vários tipos de passeios para ver neve. Alguns levam à lugares com uma linda vista, mas pouco contato com a neve em si - é o caso do Cajón del Maipo & Embalse el Yeso. Neste tipo de passeio a natureza é rica e exuberante, se conseguem fotos maravilhosas, mas pelo que li: é só isso - sem esquiar, nem rolar na neve ou ter contato direto com o gelo. Algumas empresas montam um pequeno pique-nique para incrementar o passeio. Todos dizem que as fotos ficam realmente maravilhosas, mas mesmo assim não escolhi esse passeio, estou contando conforme as informações que recebi de amigos e pesquisas na internet.

Ao longo desse post vou colocar dicas que eu julgo extremamente necessárias saber e seguir. Conheço algumas pessoas (inclusive meu marido) que negligenciaram algumas delas e se arrependeram depois!

O passeio que fizemos, passa por Farellones e depois vai até o Vale Nevado - leva um dia inteiro.
O caminho já vai dando sinais do quanto o dia vai ser bom! Dá vontade de sair do carro correndo e pular na neve, mas não adianta se empolgar demais... tem muita estrada até chegar à primeira parada: Farellones. 

Embora a paisagem seja deslumbrante, não se iluda totalmente: a vista é linda mas a estrada é o ÓHHH... São 40 curvas bem fechadas até chegar a Farellones e mais 20 para chegar no Vale Nevado.
(Foto do Google - Caminho para a Cordilheira na primavera/verão)

A foto acima é da estrada que leva aos parques, peguei na internet para que se entenda realmente como é puxada. Em cada curva a preferência é de quem sobe, portanto, isso também pode atrasar a viagem - quanto mais carros cruzando o caminho, mais lento o trajeto. Por isso, se seu passeio for marcado para o comecinho da manhã, não reclame: quanto mais cedo, mais vazia a estrada!


DICA N° 1: NÃO EXAGERE NO CAFÉ DA MANHÃ! Estas curvas podem fazer mal, então faça uma refeição leve. Eu, que tenho facilidade em passar mal, preferi o jejum e ainda assim tive um pouco de enjôo, mas nada demais!

São aproximadamente 35 Km de distância de Santiago e o tempo de viagem vai depender da época do ano e da quantidade de neve na região. O Google informa em torno de 1 hora, em condições normais, porém o trajeto é mais demorado porque na ida tem uma parada para quem deseja alugar roupas ou equipamentos e na volta, outra parada para devolver tudo.

DICA Nº 2: SE NÃO SABE ESQUIAR, TOME CUIDADO! Não se aventure sem supervisão ou um curso preparatório (em Farellones tem pequenos treinamentos disponíveis para compra). Ouvi relatos de pessoas que bateram a cabeça ou se machucaram feio, porque se aventuraram sem responsabilidade. Vou lembrar a vocês: Neve em repouso vira gelo - duro feito pedra, não é como algodão doce, nem travesseiro! Se você cair vai doer... muito!
(Opções para todos os gostos)

Chegando em Farellones, o guia passa várias instruções e algumas dicas importantes - porque turista empolgado é um perigo (kkkkk), melhor prevenir. Me aventurei a fazer um videozinho sobre as primeiras impressões - não se assustem, minha familiaridade com a câmera é ZERO, mas acho que é possível ter uma noção!


A entrada no parque não está inclusa no valor do passeio, portanto, você deve considerar os valores de: passeio + aluguel roupa + entrada no parque + lanche. A parte boa é que depois que você entra, tem muita coisa liberada: esquibunda, tirolesa, bicicleta, teleférico, etc...

O marido custou a encarar o vento no rosto, ficou um tempo "mascarado" até criar coragem. Como sou curiosa para ver e viver de tudo, até o frio no rosto pra mim era experiência de viagem!


Eu tirei TANTAS fotos que ficou difícil escolher quais iriam para redes sociais e blog. Cada movimento, paisagem, cada olhar dava vontade de fazer uma foto.

Para chegar à parte mais alta, utiliza-se o teleférico - não é como a roda gigante que estaciona pra gente subir, viu; é no pulo, meu filho... tu vê o bicho aproximando, mira, prepara a buzanfa e quando chegar perto, SENTA e em seguida abaixa a proteção!






DICA N° 3: USE FILTRO SOLAR. A neve queima sem você perceber, pois reflete os raios solares. Como está muito frio e o vento é gelado; só vai perceber depois que já estiver sentindo o rosto ardendo; queimado!

(Na parte mais alta se encontram as lanchonetes, cursos e alguns quiosques de equipamentos)

(Ao fundo da foto, o pessoal que estava na fila pra descer na tirolesa)


DICA Nº 4: SE O PASSEIO FOR NUM DIA ENSOLARADO, LEVE ÓCULOS ESCUROS. O reflexo da neve ofusca a vista e pode causar inflamações oculares.


DICA Nº 5: SE FOR NO INVERNO, ALUGUE O TRAJE SIM. Mesmo se não for esquiar, alugue o traje, assim ficará mais confortável e sem medo de brincar na neve.



Quando eu digo que alugar a roupa traz comodidade e conforto, é a pura verdade.  Mais uma vez lembre que neve é gelo congelado e, por isso, se você não alugar a roupa e quiser deitar ou sentar na neve vai se molhar todo e corre p risco de adoecer. 

A roupa vai te deixar protegido e à vontade para brincar como criança. Alguém aí acha que meu fotógrafo/marido ia deitar na neve se não estivesse com roupa alugada? E isso valeu a pena, porque as fotos ficaram ótimas!




Depois de andar e conhecer todo o lugar, me aventurei a brincar no Skybunda e foi muuuuito legal... Se tivesse tempo eu descia umas 10 vezes, mas a subida é lenta, longa e a fila é grande, então foi só uma vez mesmo! NOTA: Se for à Farellones, aproveite o começo da manhã para fazer essa atividade; quanto mais tarde, mais cheio e mais disputada é a descida.


A subida é por uma esteira rolante bem comprida e se não fosse pelo zoom da câmera que é de 50X, não seria possível fazer as fotos com proximidade e qualidade. (Repare no teleférico no canto direito - é bem alto)



Já no topo, um instrutor passa as recomendações de como frear, ganhar velocidade e mudar de direção. Se você desequilibrar e cair do trenó/bandeja deve levantar e descer a pé pela lateral para não atrapalhar a brincadeira dos outros: é bem organizado!



Depois de conhecer bem o parque de Farellones (que fica em torno de 2.500 metros de altitude), retornamos à Van e subimos mais 20 curvas, alcançando 3.000 metros de altitude para conhecer o Vale Nevado.

O Vale Nevado já é um ambiente, digamos, mais profissional. Enquanto Farellones tem aquele ar de diversão, brincadeira e descontração, onde os leigos e inexperientes conseguem ficar bem à vontade e se divertir; o Vale Nevado já tem uma pista de esqui enorme, uma estrutura de vestiário e equipamentos notavelmente mais elaborada, além do ar de seriedade. Vi muitas pessoas com equipamentos sofisticados e vestidas à caráter, encarando a pista como se fosse uma situação bem profissional e ao mesmo tempo, normal.

Embora não tenha bilheteria para entrar no Vale Nevado, também não tem o que fazer (a menos que você seja um esquiador experiente), até para andar no teleférico paga (e caro). 

Ficamos pouco tempo, apenas o suficiente para conhecer o lugar e fazer algumas fotos. Confesso que gostei muito mais de Farellones e numa próxima visita, provavelmente eu vá somente lá (para poder aproveitar melhor as atividades). Mas pra quem nunca foi, vale a pena conhecer.






Ao fundo está a parte mais alta da pista, eu usei o zoom da câmera para tentar dar a real noção de distância. A olho nu, mal dá para enxergar o que se passa ao fundo, só com uma boa câmera é possível. Fiquei impressionada com a tranquilidade do pessoal que desce por ali, só de VER eu já estava apavorada. Enquanto os pobres mortais descem sentadinhos no esquibunda em Farelonnes, aqui o bicho pega e o sistema é bruto!!!






Depois de algum tempo, pegamos o caminho de volta e a paisagem continuava mais linda ainda (se é que isso seja possível). O sol ilumina a neve de um jeito que não é possível captar com a máquina, só estando lá para ver.

(Detalhe: pela placa é possível entender a altura que a neve alcança na beira da pista)

Durante o trajeto de volta (morro abaixo) tivemos uma grata surpresa: duas raposas tão curiosas quanto nós, vieram perto da estrada e não se assustaram nem quando paramos para admirá-las.



Como nossa visita foi no final do inverno; na parte baixa - quase chegando à cidade - a nova estação começa a surgir. Flores aparecem na beira das encostas e o branco da neve dá lugar ao colorido da Primavera!

(DETALHE: As curvas que citei no começo, delicadas como coice de mula!)



Valeu galera... o passeio foi extraordinário e entrou pra história. Obrigada ao Luis Toledo, nosso guia/enciclopédia/amigo.

E se alguém ainda acha que essa viagem, foi só mais uma... Olha o resultado marcado pro resto da vida! Coordenadas geográficas de Farellones, que foi a região da Cordilheira que mais gostei de conhecer...


Para mim foi uma experiência incrível, a realização de um sonho...



No próximo - e último - post da série vamos falar de CO-MI-DA. Fica ligado, porque vem coisa boa por aí... Até mais!!!

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