sábado, 20 de outubro de 2018

Dica de Leitura: TODO DIA

Faz muito tempo que o livro TODO DIA está na minha fila e quando lançaram o filme, foi difícil resistir.

Quando uma obra tem as duas versões eu sempre faço o possível para ler o livro primeiro. Nunca encontrei um filme que fosse melhor que o livro e acho que quando vemos o filme primeiro, ele tira nossa imaginação por fornecer uma imagem pronta e “enlatada” dos personagens – enfim, prefiro os livros!

O livro conta a história de A, “alguém” que cada dia habita o corpo de uma pessoa, assumindo sua vida e tendo acesso à parte de suas memórias e hábitos para conseguir levar o dia sem parecer totalmente perdido ou louco. Como regra, são sempre pessoas que possuem a mesma idade que A e que moram certa distância geográfica (no máximo,  em cidades vizinhas).

O que mais me motivou a seguir a leitura foi a curiosidade: saber em qual corpo A estará amanhã e como ele vai lidar com a rotina do dia. Ao longo da leitura, A passa por situações diversas, dias bons e ruins, em corpo de homens e mulheres com personalidades e características completamente diferentes.

O personagem A não sabe como isso funciona e vive assim desde sempre. Quando era criança, achava que todos viviam assim, mas foi se adaptando com o passar do tempo e entendendo que era diferente. Ao longo dos anos desenvolveu algumas regras pra “facilitar” sua vida e tentar respeitar alguns hábitos de seus hospedeiros.

Até que um dia A conhece alguém que o faz questionar suas limitações, repensar tudo que ele acredita, reavaliar as regras que criou e desenvolver uma vontade enorme de entender o que ou quem ele é, como isso tudo funciona, se existem outros como ele e se poderia ter uma vida normal.

Eu li bem rapidinho, tem capítulos curtos, em média 2 a 3 páginas em cada – contando cada dia vivido num corpo diferente.

Achei interessante a forma como A analisa cada pessoa, como descreve as inúmeras formas como as famílias vivem e se relacionam, os vínculos afetivos e dramas pessoais.

Não é um livro extraordinário daqueles que você marca no fundo do coração e deseja que o mundo inteiro leia, mas vale a pena. Confesso que não amei o desfecho, mas entendo a dificuldade em elaborar um final que fosse bom, coerente e justo – e por esse motivo, não julgo o autor, ou seja, não amei o final, mas não consigo elaborar nenhum melhor, então, como posso criticar!

A parte boa é que aparentemente deixou brecha para uma continuação e eu seguirei na história se houver sequência.
sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Mulheres & Cervejas (e dietas!)

HISTÓRIA

A cerveja é tipicamente vista como uma bebida masculina, mas quer saber, isso não é verdade. Cada vez mais as mulheres estão (re)dominando o assunto e botando muito homem no chinelo, mas isso não é uma novidade e sim uma retomada da história. Sabia que a mulher teve papel fundamental na criação e em toda a história da cerveja?
  • Na Suméria - antiga civilização datada de 5500 a.C. - tudo girava em torno do lar: limpeza, preparação de alimentos e bebidas eram papéis exclusivamente femininos. 
  • Além da bebida do cotidiano, as cervejas fabricadas pelas mulheres da Suméria eram respeitosamente usadas em cerimônias religiosas.
  • Em uma tábua cuneiforme, escrita por volta de 1800 a.C., foi encontrada uma receita de cerveja. 
  • Hieróglifos do antigo Egito descrevem mulheres fabricando cerveja e bebendo em um tipo de canudo que servia para atravessar a camada de espuma acumulada na bebida.
  • Na Idade Média, as mulheres que produziam boas cervejas eram mais valorizadas. Um rei (Alreck de Hordoland) escolheu sua rainha pelos seus dons cervejeiros.
  • A mulher de Martinho Lutero era famosa pelas cervejas que produzia e aprendeu a receita num mosteiro.

A "RECEITA" DA CERVEJA
Atualmente a diferença entre homens e mulheres no mundo cervejeiro é gritante, mas já têm muitas mulheres que se destacam no mercado e fazem um trabalho extraordinário.

Esse universo é vasto e existem inúmeras variações de cerveja: tipos de fermentação, estilos, teor alcoólico, coloração, harmonização, etc.. Então quando alguém disser que cerveja é tudo igual, saiba que NÃO É!

O caminho é longo e o tema é um pouco complexo. Não dá para ler um texto e se tornar expert da noite para o dia, mas se você começar devagar, pode se surpreender. Entender de cerveja é tão complexo quanto entender de vinho (a diferença é que é mais divertido).

Além da água, a receita da cerveja contém 3 ingredientes básicos:
  1. MALTE - É a cevada germinada e seca - esse processo deixa o grão doce e a fermentação do açúcar produz álcool.
  2. LEVEDURA - Fermento natural; é um micro-organismo vivo classificado como fungo. A levedura consome o açúcar do malte e o transforma em álcool e gás carbônico. Os levedos usados na cerveja podem ser de alta ou baixa fermentação. Também interfere no aroma da bebida (floral, frutado ou mineral).
  3. LÚPULO - Atua como conservante, influencia no amargor da cerveja e também no aroma que pode ser mais herbal ou floral, já que se trata de um botão de flor.
A combinação desses componentes, a proporção utilizada, a forma como é produzida e alguns ingredientes adicionais resulta em diversos tipos de cerveja.
Agora que já vimos que existe um sem fim de tipos de cerveja, vamos ao que eu realmente queria falar!

CERVEJA PURO MALTE

Ela vêm ganhando fama e espaço no mercado e vou explicar porque virei fã.

As puro malte são muito bem vistas pela galera que adora uma breja, mas não gosta dos efeitos que ela provoca no corpo - ela produz menos impacto no organismo - na questão de ganho de peso e naquele estufamento que a gente sente quando bebe; o famoso inchaço.

Esse tipo de cerveja segue a receita que leva apenas o malte de cevada ou trigo, enquanto as cervejas comuns (Skol, Brahma, Kaiser) possuem composição diferente.

A diferença é que as comuns utilizam fontes "alternativas" de carboidratos - chamados cereais não maltados - como arroz ou milho, para reduzir os custos de produção mas, em contrapartida, resulta em uma cerveja mais calórica.

No Brasil, a lei permite utilizar até 45% de cereais não maltados na receita (geralmente de milho ou arroz). As fábricas utilizam praticamente o limite desse percentual para encurtar o tempo de fermentação/maturação, acelerar e baratear o custo de produção, isso afeta o sabor e prejudica a qualidade sensorial da cerveja.

O malte é rico em vitaminas, minerais e potássio, ajuda a regular a pressão arterial devido ao relaxamento dos vasos sanguíneos, previne diabetes por possuir ácido fólico, entre outros benefícios. Atenção, tudo isso, mediante consumo MODERADO em média de 250ml por dia - não vai sair por aí enfiando a cara na cerveja.
Resumindo, cervejas puro malte prejudicam menos a dieta. Se a ideia é emagrecimento rápido, não tem outro jeito senão cortar as bebidas alcoólicas, mas se o objetivo é uma reeducação alimentar ou mudança de hábitos, a cerveja puro malte pode ser uma boa aliada.

Ah! Um detalhe: nem toda cerveja puro malte será excelente. Existem ótimas cervejas que não são puro malte e péssimas cervejas que utilizam apenas cevada maltada na composição. A tendência é que a puro malte seja menos prejudicial, mas isso não é uma via de regra.

Eu não sou exímia entendedora do assunto, mas testei e posso afirmar que realmente faz diferença. A cerveja puro malte tem sabor um pouco mais marcante, no entanto, não deixa aquela sensação de peso e inchaço no dia seguinte. No meu caso, até a oscilação de peso foi bem diferente no consumo dessa cerveja em relação às comuns.

Então, bóra tomar uma?
sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Você conhece o LAGOM?

Acabei de voltar de férias; energias renovadas para enfrentar novos desafios, mas esta pausa foi diferente de todas as outras que fiz anteriormente - TODAS - e vou explicar pra você.

Eu não fiz nenhuma viagem internacional, não planejei nada especial, só sabia que precisava dar uma respirada e me afastar do dia-a-dia um pouco para não surtar.

Antes de detalhar sobre minhas reflexões, trago um conselho: 

"Se for viajar nas férias faça-o imediatamente! Não fique em casa por vários dias, olhando para as mesmas paredes, dormindo na mesma cama, vendo a mesma paisagem na janela, encontrando as mesmas pessoas. Tirar férias e ficar em casa faz com que seu cérebro demore mais tempo a se ajustar ao modo FÉRIAS. Por isso, se é pra viajar, mete o pé na estrada logo de cara, mude a rotina 100%, faça coisas diferentes e assim dê ao cérebro novas coisas para pensar e ao corpo novas coisas para fazer."

Fui para a praia - não com intuito de me plantar na areia o dia todo e torrar no sol comendo um monte de porcarias. Eu saí com o foco em fazer uma pausa, me afastar da rotina e da cidade onde moro, respirar ar puro e adquirir uma calma que me fugiu nos últimos meses.

Nestes dias, vivenciei outro ritmo de vida (tanto da cidade quanto o meu). Por estar na praia fora de temporada, passei a ver a cidade não pelo ritmo dos turistas mas, pelo dos moradores. Pessoas num cotidiano mais leve, num tempo próprio, cadenciado mais pela velocidade das bicicletas e dos pedestres do que dos carros e do trânsito.

Claro - não tenha dúvidas - que na alta temporada eles trabalham feito cão para aproveitar as oportunidades de negócio e renda que não duram o ano todo; mas, fora isso, há um tempo para respirar entre as temporadas. Fiquei observando esse ritmo tranquilo das pessoas e comecei a refletir sobre pequenas coisas do cotidiano.

Refleti sobre toda essa correria que vivemos, esse desejo de consumo desenfreado, a obrigação de se mostrar feliz, ávido e motivado o tempo todo, a necessidade de que sempre precisamos QUERER alguma coisa, ter objetivos, trabalhar duro, ser sociável, estar bonito, aprender mais... E nessa correria, esquecemos de curtir o leve, observar os detalhes: desaprendemos a necessidade de DESACELERAR.

O que quero dizer é bem ilustrado na música Admirável chip novo, da Pitty:
"Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste e viva"


Voltei diferente, pensativa! Tive muitos insight's durante e após a viagem e agora acho que deveria ter anotado porque nem lembro de todos:
- Deveria usar chinelo mais vezes e isso ser normal. Porque somos tão julgados pelos sapatos?
- Comer fora é tão gostoso e  mais prático do que preparar comida em casa (se você calcular o TODO sendo eletrodomésticos, mantimentos, tempo gasto, despesas de compra e transporte, etc - e não somente os ingredientes). Será que fica realmente mais caro?
- Queria ter uma moto para poder viajar de forma mais fácil e prática - viajar sem ficar preso nesse engarrafamento horrível.
- Porque eu carrego tanta coisa na viagem? Tem gente que viaja só com uma mochila e curte o passeio do mesmo jeito...
- Como será que vou estar quando aposentar?
- Nossa, tenho muito mais roupas do que preciso.
- Porque a gente acumula tanta coisa que usa tão pouco ao longo do ano?

Passados alguns dias, muita leitura, descanso e reflexão eu voltei à velha rotina e atualizando meus emails, me deparei com um termo diferente disparado pelo blog Garota ao quadrado, sobre LAGOM. Comecei a ler sem muita expectativa - não pelo blog, que amo - mas porque estava voltando ao velho ritmo, portanto, ainda me adaptando à rotina. Acontece que logo de cara o post despertou meu interesse e, de repente, as coisas começaram a fazer mais sentido.
É um termo sueco sem tradução na língua portuguesa, mas seria algo como bastante, suficiente, necessário, equilibradamente...

Lagom é um estilo de vida que prioriza a sensatez, fazer as coisas da melhor forma possível, sem exageros ou recursos desnecessários. Se emprega em todas as situações e todas as áreas, desde comida, trabalho, moradia, bem estar, experiências e situações.

Nesse mundo conturbado, com acesso interminável a informações e consumo, Lagom é abrandamento e libertação, é uma aversão aos extremos, é o desenvolvimento da moderação, da sustentabilidade e da consciência social. Parte do princípio que a plenitude e a satisfação podem ser resultado do contentamento adequado, dando a devida importância a cada coisa na vida e não na busca constante por algo que você supõe que precisa adquirir; é a capacidade de saber dosar o egoísmo e o consumo excessivo.

Imagine o seguinte cenário: estamos conectados o tempo todo, com ritmo pesado de trabalho seja na rua ou em casa, constantemente disponíveis através do smartphone e consumindo informação como nunca, alguns buscam um corpo "perfeito" (seja por exercícios até a exaustão ou por dietas), corpo que, muitas vezes, é resultado de excessos anteriores, muitos buscam um carro mais novo, uma casa maior e melhor, um celular mais moderno, a nova coleção de moda, etc...

No meio de todo esse consumismo, surge o LAGOM - para nos alertar sobre limites e equilíbro, aprender a diferenciar o que QUEREMOS do que PRECISAMOS, repensar o que realmente importa, avaliar o que estamos consumindo por impulso e voltar nosso olhar para coisas mais importantes.

Linnea Dunne, autora do livro LAGOM - A arte sueca para uma vida equilibrada, recentemente traduzido em Portugal e (infelizmente) ainda sem data para chegar ao Brasil, conta que mudou-se para uma casa menor e doou muitas coisas que acumulava, inclusive boa parte dos brinquedos dos filhos. Como resultado, os filhos passaram a brincar mais tempo juntos, apreciar melhor os brinquedos que ficaram e ela não sentiu falta das coisas que doou.
O estilo de vida LAGOM varia de acordo com cada pessoa e sua cultura, idade, momento de vida e muitos outros aspectos, mas uma coisa é invariável: para se posicionar frente à tudo é preciso pensar nos motivos que te fazem ficar estressado ou infeliz; é preciso analisar o tempo e a energia que você deposita em cada acontecimento, objeto, situação ou ação da sua vida e, em seguida, analisar se essa energia e tempo estão sendo aplicados adequadamente e da melhor forma possível.

Fato é que quando você começa a analisar os aspectos da sua vida e consegue determinar onde pode melhorar e se "livrar" do peso e da bagagem extra que carrega, tudo se torna mais leve e simples - como consequência dessa redução de sobrecarga você reduz o stress.

O legal é trabalhar nesse conceito aos poucos e entender cada situação do cotidiano. Adotar o LAGOM não é uma mudança de vida radical, o objetivo é facilitar e não complicar. À medida que se torna mais normal fazer a análise e você começa a ver os resultados, percebe as pequenas mudanças que podem beneficiar sua qualidade de vida.

Ao adotar um estilo de vida LAGOM, é possível:


- Reduzir o seu impacto ambiental;
- Melhorar o equilíbrio entre trabalho e vida privada;
- Libertar a sua casa de coisas inúteis;
- Tornar-se um consumidor mais consciente;
- Valorizar as relações com aqueles que ama;
- Apreciar boa comida ao estilo sueco;
- Produzir os seus próprios alimentos;
- Desfrutar de exercício físico saudável na natureza;
- Viver uma vida equilibrada e feliz.

Resumindo, esse "modelo" é um meio de viver em harmonia com as coisas ao seu redor, sem exageros e excessos, mas a chave é encontrar o equilíbrio pessoal nesse contexto. Não existe medida certa, não há manual de instruções, as referências variam de acordo com o meio, as condições e a situação na qual cada um vive. O que é bom para mim, pode não ser necessariamente bom para outra pessoa. O LAGOM não será padronizado e igual entre todos...

Eu acredito que LAGOM é sobre entender e valorizar o SENTIR e o SER, ao invés do TER e ACUMULAR. Então, o que acha de olhar ao redor e começar a repensar pequenas coisas do seu cotidiano, talvez você se surpreenda com o que pode começar a enxergar e passe a gostar desse novo estilo de vida.

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